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Quadrinista brasileiro vence Prêmio Eisner com história sobre escravidão

Quadrinista brasileiro vence Prêmio Eisner com história sobre escravidão

A HQ “Cumbe”(2014), do quadrinista Marcelo D’Salete, ganhou o Prêmio Eisner Awards 2018 na categoria Melhor Edição Estrangeira. Publicada em 2014, a obra aborda o período colonial e a resistência negra contra a escravidão no Brasil. Os ganhadores da premiação foram anunciados na última sexta (20) durante a Comic-Con San Diego.

De acordo com Marcelo, “Cumbe” nasceu em 2004 durante um curso sobre história do Brasil com foco na população negra. “Eu li diversos textos que falavam sobre a época do  Brasil Colonial e sobre o Quilombo dos Palmares, um dos principais locais de refúgio de escravos fugitivos. Eu resolvi fazer uma pesquisa mais profunda e encontrei histórias sobre africanos escravizados, os costumes daquelas pessoas, o que elas acreditavam, discussões sobre o que era a escravidão e a questão de gênero naquele período”, disse.

A obra foi publicada em diversos países como Portugal, França, Itália, Áustria e EUA pelas editoras Polvo, Çà et Là, BeccoGiallo, Bahoe Books e Fantagraphics, respectivamente. Além do Prêmio Eisner, o livro foi indicado ao prêmio brasileiro HQmix em 2015 nas categorias  desenhista, roteirista e edição nacional; ao Rudolph Dirks Awards (Alemanha) em 2017 na categoria roteiro, e selecionado para o Plano Ler+ para leitura em escolas de Portugal.

A pesquisa para “Cumbe” ficou tão grande, que Marcelo resolveu publicar “Angola Janga – uma história dos Palmares” (2017) que conta a história de antigas habitações de escravos fugitivos localizadas na Serra da Barriga,  mais conhecidos  como  Palmares. “Eu acredito que há pessoas dentro e fora do Brasil interessadas em conhecer esse tipo de história, que muitas vezes conhecemos por livros históricos. Muita gente está indo atrás desses livros, porque estão vendo que essas histórias são para além de um público apenas apreciador de quadrinhos. São histórias que merecem ser conhecidas e discutidas. Falar de escravidão ainda é tabu em muitos núcleos. Para vencer isso, a arte cumpre um papel excelente”, afirmou.

O quadrinista também publicou “Noite Luz” (2008), no Brasil e na Argentina, com histórias urbanas envolvendo uma casa noturna e “Encruzilhada” (2016), que trata de violência,  jovens negros e discriminação em grandes  cidades.

 

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